O Querer

Imaginei-te hoje aqui, comigo, neste quarto de pousada, com eu cá, deitado a sentir o suor ainda escorrer sobre as algumas dobras de minha barriga e costas a umedecer o tecido da coberta, já desprendida da cama, e a minha pele peluda, que toda vez ao atritar na tua, crava o teu cheiro em mim, que agora, sem nada ter de teu, não sei na memória qual minuciosidade tem. Você levantou para ver o sol da janela, e vejo-te nu, a transpassar de um lado para o outro da bunda o meu olhar com desejo ao exercitar os teus músculos quando pisas neste piso frio. O teu corpo é passivo de veneração como o eixo canônico de uma tela, que eu pintaria agora, a ver-te daqui, caso ainda tivesse forças para deixar, pelo menos, um pincel firme em minhas mãos. A luz que te douras o ventre, quase sem pelos, é a que te faz sombrear no abarrotado lençol branco que nos vestimos ainda há pouco, nus, um dentro do outro, em uma troca mútua de energias e de saberes. E eu fundido pelo teu olhar agulhado e injetado no meu ser orgânico venoso, a correr e a correr pelas minhas veias a transcender o corpo e a alma juntos, mantendo-me permanentemente contigo, bebendo e comendo do teu âmago, sem saber aqui até aonde és tu, e só ao sobrar de ti, descobrirei o que sou para além desse uníssono. Como uma extensão atemporal do corpo ao espírito. Tu me tens na transmissão do ato involuntário do meu pensar ao ar que te assopro dentro da tua boca quando tu ofegas, a expirar o ar que foi inspirado e trazido da necessidade de transmutar minha quietude, simultaneamente contado, sem ponteiros, pelo vento que te ventilou a franja e te trouxe daquela praça aglomerada até aqui, neste bangalô que montei, com muito esmero, em meu silencioso tálamo.

Daybed, Jim Ferringer - Digital Photograph 14" x 18".
Daybed, Jim Ferringer – Digital Photograph
14″ x 18″.

O corpo

Há três, quatro dias eu tenho tido uma tremenda dificuldade para pegar no sono e ficar nele por um tempo que dê para eu corpo, para eu mente e para eu espírito descansar e recarregar as energias. Como isso tem sido escasso esses últimos três, quatro dias, o acúmulo de desânimo tem somado à ansiedade e ao descontentamento emocional e o resultado se percebe em meu corpo, onde escondo minhas preocupações, lamentos, frustações e qualquer outro tipo de emoção, também as salutares. Então, tenho o meu corpo como um baú ou como um relicário ou como uma caixa de sapato ou como um nécessaire ou como um porta joias ou como qualquer porta trecos ou até mesmo como um simples envoltório material. O importante é ver o corpo como a reação imediata do aglomerado emocional, orgânico e espiritual falseado por emoções e alimentos de nutrientes físicos e também do ocultismo.

É de fundamental importância o que levamos à boca para se transformar em combustível. Um carro não anda com conversa, sem o seu combustível adequado, o carro certamente não irá funcionar, nem com a vontade de que as rodas girem por forças esotéricas, assim é o corpo, precisa de cuidados necessários quanto o seu combustível, os alimentos preparados, além de portarem seus nutrientes, como as vitaminas B, D, A e E, o sentimento que nesses são depositados, como o amor, são absorvidos, por meio das energias, pelo nosso organismo quando os digerimos.

Culpo-me pelo desleixo que tenho tido com o meu corpo, mas ao perceber a minha postura côncava, tratei de aprumar, imediatamente, a coluna. Ainda não acostumei e não está sendo moleza ter que estufar o peito para tentar corrigir meu terrível costume de sentar quase que abraçando os joelhos.

Além do mais, eu ainda não sou um domador de meus sentimentos, mesmo que eu trabalhe isso com frequência, através dos ensinamentos espirituais e também da meditação, ainda assim não cheguei ao estágio que um Guru se encontra. Isso implica a dizer que o meu descontrole emocional certamente interfere no meu sono, e isso também implica a dizer que o meu corpo reage de forma negativa à reação causada por eu ainda não saber, sabiamente, realinhar meus pensamentos e emoções que estão capengas, ou seja, o corpo padece com as noites mal dormidas.

Talvez por isso, meu horóscopo me trouxe isto para refletir: “O corpo tem uma sabedoria natural, e quando aprendemos a observar melhor o que ele está querendo nos dizer, podemos otimizar – e muito – os nossos hábitos cotidianos. Este é o momento de você refletir a respeito de como tem vivido o seu dia a dia e, a partir desta compreensão, fazer as mudanças que sentir necessárias”.

Déa Trancoso canta: “O corpo fala com o corpo, e é um dizê que dá gosto”, o corpo, embora material, consegue com alguns estágios da emoção e da sensibilidade, transcender dando-nos a impressão de estarmos levitando. É quando o corpo se encontra leve, circundado e recheado de ar puro, de poesia, de desejo e também de amor.

O definhar do corpo nas palmas de quem nos apalpa com amor e afago também é a denúncia do outro corpo que apalpa e é apalpado simultaneamente pelo toque das palmas que apalpam e são apalmadas pelo tato, palato e retinas. O corpo como linguagem. O verbo calado, o olhar talvez fechado para o mundo, mas o corpo, intensamente, conversa com o outro pelo roçagar das peles, dos pelos, dos quase pelos e quase peles, são arrepios que só a linguagem do corpo entende e não se propõe a explicar na oralidade, quiçá no olhar, caso estejam amostra, ou, no respirar ofegante. No caso da última opção, se debruçado sobre o peito, é sentido com maior intensidade.

“Você é estranho Vitor. Não que isso seja ruim, mas ainda não consegui me acostumar. Você é uma parede de gelo que guarda uma grande fogueira por dentro”. Essa foi a leitura de minha amiga Mirela. Poderia explicar a ela como é um capricorniano com ascendente em aquário, mas talvez isso ela já saiba e possivelmente não a convenceu, mas disse a ela que embora eu pareça ser tranquilo, estou cheio de conflitos internos, e isso, logicamente, não me faz um ser tranquilo, mas um ser reticente.

Para findar, ainda continuo tentando deixar a coluna ereta, pelo menos, durante todo o tempo em que o esquecimento não a recurve. Tento não me angustiar por sentimentos e expectativas aparentemente instáveis, recorrendo sempre ao mantra do “paz, amor e harmonia”, e também, estou pensando em levar meu corpo, que tanto gosta de conversa fiada, para bater longos papos com o corpo de Beltrano em tempo de inquietação no âmago.

Em tempos de cobranças ferrenhas, se der branco, fodeu!

Somos de tudo cobrados, a custo de mera vaidade. Temos que ler 100 livros, e de cada um saber as entrelinhas decoradas, dane-se quem costuma ler compassadamente, “saboreando a leitura”. “99 não é 100”. É preciso que se saiba os nomes e sobrenomes, respectivamente, puxar a árvore genealógica e pressupor até a linhagem de descendentes a vir. Precisa-se também que se dobre a língua e que se afine os lábios para ser bem visto dentre os conterrâneos. Tem que se ouvir Bach, Pat Metheny e Ludwig van Beethoven, ou simplesmente Beethoven. É como se não soubéssemos de nada, e tudo o que deveríamos saber, é o que de fato valerei (se soubéssemos!). É sufocante e uma luta incessante, já que em um meio onde se exige apenas mestres, não se tem paciência e caridade com os aprendizes.

É preciso que se saiba de todos os besteiróis, de todos os lançamentos pops, de todos os filmes que estão em breve, que se adiante o final da novela, que se assista a uma apresentação de Augusto Pellegrini pela tela do celular. Que se fique atento as mudanças, não só as dos retornos que vem tendo alterações em nossa cidade, nem dos canteiros reduzidos por aí, mas que joia, boia e assembleia agora não se acentua mais. Acento com C, não com S de sentar. É preciso que saiba que acento e assento são homófonas e não homógrafas, que “homo” vem do grego antigo e que significa igual, antonímia de “hetero”, da mesma origem, mas que nos remete a uma ideia (sem acento agora) de diferente. Talvez por isso, um grande perigo se equivocar, afinal, errar não faz parte deste (ou é desse?) mundo.

E aí, é quando se sente sono, fraqueza, cansaço, fome, sede, ânsia de sofreguidão, mas 10h de noite dormida não cessa fraqueza, nem cansaço, nem sono, feijoada não tira fome, nem água mata sede. Acorda-se cansado, sai de casa com sono, volta arrastado, dorme fraco e já acorda outra vez, moribundo. É o acúmulo de hoje, com o de ontem, que acumulou com o de anteontem e o da semana inteira. É o eterno conflito entre o saber e o não fazer nada, ou, é o eterno conflito entre não saber tudo e mesmo assim, querer fazer. Resulta em uma perseguição eloquente da mente, um estado de guerra onde o cansaço e a fome não são saciados com descanso e alimento. Ainda se precisa de mais, porque é cobrado mais!

É preciso que se saia dessa rotina ensaiada, pelo menos por uma semana viajar, sair disso aqui, ver novos ângulos e tragar novos ares. Nos faz bem conhecer uma nova rua, uma esquina diferente, uma história inédita, sotaques e costumes desconhecidos. É duro aguentar o meio fio só daqui pra faculdade, quero Monte Castelo e Paraty, João Pessoa e Itabira, quero Sabará e Alcântara, Santorini, Jurerê e Alfama. Mas enquanto ainda estou por aqui, me distraio com o que tenho. “O vento que venta lá, é o vento que venta cá”. Cafezinho, vento alegre e leitura trazem poesia!

E a vida em um estado permanente de resistência…

O Grito – Edvard Munch (Óleo, têmpera e pastel em cartão, 91 x 73,5 cm). A obra representa uma figura andrógina num momento de profunda angústia e desespero existencial. “O Grito” ‘Estava andando pela estrada com dois amigos O sol se pondo com um céu vermelho sangue Senti uma brisa de melancolia e parei Paralisado, morto de cansaço… … meus amigos continuaram andando - eu continuei parado tremendo de ansiedade, senti o tremendo Grito da natureza’  Edvard Munch
O Grito – Edvard Munch (Óleo, têmpera e pastel em cartão, 91 x 73,5 cm). A obra representa uma figura andrógina num momento de profunda angústia e desespero existencial.
“O Grito”
‘Estava andando pela estrada com dois amigos
O sol se pondo com um céu vermelho sangue
Senti uma brisa de melancolia e parei
Paralisado, morto de cansaço…
… meus amigos continuaram andando – eu continuei parado
tremendo de ansiedade, senti o tremendo Grito da natureza’
Edvard Munch

E a vida em um estado permanente de resistência…

O que que é a vida, já que tu estás nela?

Despretensiosamente, troquei mensagens casuais, até repentinas, perguntando a uns amigos, de diferentes idades, “O que que é a vida, já que tu estás nela?”. Depois que li os mais diferentes e sensíveis depoimentos, perguntei como seria a representação dela por meio de uma fotografia. Juntei todas aqui e agora vejam o resultado:


“Minha vida eu acho ela tão… diferente da vida das outras pessoas que têm a mesma idade que eu. Meus pensamentos mudam tão rápido, que parece que eu não sou o mesmo de dois minutos atrás. A vida é como se fosse uma estrada muito ondulosa onde cada parada tem que se tomar uma decisão, e às vezes, uma decisão decide todas as outras. Eu particularmente, prefiro tomar decisões por impulso porque, normalmente, as decisões por impulsos são as desejadas e, só depois penso no “o que que eu fiz?” Pra daí, na próxima decisão, eu pensar um pouquinho mais. Agora, já penso que não é bom decisões por impulsos, já que algumas levam ao erro, e alguns erros são incontroláveis e o peso na consciência é levado pelo resto da vida…”

Mando esta imagem porque dizem que a vida é como andar de bicicleta, você sé fica em pé se se manter em movimento sempre!
Mando esta imagem porque dizem que a vida é como andar de bicicleta, você só fica em pé se se manter em movimento sempre!

Bruno Sampaio, 12 anos.


“Vida é um presente que a gente ganha, sem fazer a mínima ideia pra que ele serve, mas, desse presente recebido, devemos presentear outras pessoas. Vida é algo que nós ganhamos, mas que devemos aproveitar e usá-la em função do próximo.”

Quem me presenteou com a vida, para que pudesse presentear outras pessoas. Ela é muito importante pra mim!
Quem me presenteou com a vida, para que pudesse presentear outras pessoas. Ela (minha mãe) é muito importante pra mim!

Rayssa Barbosa, 18 anos.


“É acordar todo dia na esperança de que eu tenho mais um dia para fazer valer a pena minha estadia nesse mundo terreno. Então, hoje por exemplo, como passei o dia vendo TV, me senti uma inútil!”

Nada mais justo que representar a vida através dele (Sol). Vida, energia, luz, calor, tudo num astro só.)
Nada mais justo que representar a vida através dele (Sol). Vida, energia, luz, calor, tudo num astro só.

Sarah Saad, 28 anos.


“A vida é algo espaço-temporal onde construímos laços afetivos, identidade(s), respeito… E todo arcabouço físico necessário para sobrevivência.”

(Sem foto)

Moysés Araújo, 34 anos.


“Vida é tentar ser feliz buscando a felicidade do próximo, através dos meus atos, do meu canto. Conseguindo isso, a vida vale a pena!”

Essa é a minha coroa de flores que uso no festival da primavera do Ozaka. Todo ano renovo meu sentimento de felicidade nesse festival. O respeito ao sagrado e a ancestralidade.
Essa é a minha coroa de flores que uso no festival da primavera do Ozaka. Todo ano renovo meu sentimento de felicidade nesse festival. O respeito ao sagrado e a ancestralidade.

Milla Camões, 35 anos.


“Perfeita com todas adversidades, e eu quero viver e fazer o possível para evoluir, enquanto aqui ainda estou!”

O pôr do sol no campo
O pôr do sol no campo

Maura Correia, 41 anos.


“É tão filósofo! Estou botando o meu neto para dormir e isso me deixa feliz. Vida é isso… ser feliz com coisas simples e que realmente preenchem e dão sentido à existência.”

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Francisca Matos, 51 anos.


“A vida é uma luta constante e diária. É um duelo entre o bem e o mal. A carne e o espírito. Um desvendar dos mistérios que ainda não entendemos. É querer amar, ser feliz, fazer os outros felizes. Querer ser compreendido. É ter esperança, buscar fortaleza pela crença da Fé. Desejar um mundo de paz, fraternidade, solidariedade, harmonia. “A vida é combate. Que aos fracos abate. Que aos fortes, aos bravos só pode exaltar”. G. Dias”

Colocaria minha foto em meio a muitas flores, estrelas cintilantes, céu aberto, aurora, meio dia, pôr do sol, lua crescente, nova, cheia e minguante. Riachos, rios, cachoeiras, praia aberta, chão de mar. Sintonia com o Cosmo, representando a força maior: Deus.
Colocaria minha foto em meio a muitas flores, estrelas cintilantes, céu aberto, aurora, meio dia, pôr do sol, lua crescente, nova, cheia e minguante. Riachos, rios, cachoeiras, praia aberta, chão de mar. Sintonia com o Cosmo, representando a força maior: Deus.

Maria de Fátima Fonseca, 60 anos.

Despiram Jorge pra vestir minha gente!

“Nunca nesse mundo se está sozinho, e salve Jorge, salve Jorge, salve Jorge!”

Cantaram em dueto Emanuel de Jesus e Célia Sampaio a música Domingo 23 de Jorge Ben Jor no encontro musical “Canções para o Guerreiro” no teatro João do Vale na quinta (23) e foi de onde tirei a inspiração pra hoje.
Cantaram em dueto Emanuel de Jesus e Célia Sampaio a música Domingo 23 de Jorge Ben Jor no encontro musical “Canções para o Guerreiro” no teatro João do Vale na quinta (23) e foi de onde tirei a inspiração pra hoje.

A minha gente não é de pouca fé, é famosa até por não desistir nunquinha, e nesses tempos difíceis, com a chegada tumultuada da fatiga, do arreio dos braços depois de muita labuta que parece vã e sem rumo, de ter que reerguer a cabeça esmorecida para guiar o corpo que se arrasta e a alma que definha dentro, transformando reesperança em pó de quisuque pra ser dissolvido na água salobra pros meninos tomarem, tem feito muito ateu ajoelhar, e por aqui, quem ajoelha reza, reza pra ter pão (amanteigado). Uma gente que tenta escapar das tentativas de estandardização e por isso sofre, chora e morre na segregação, na meritocracia, na fila do SUS, do lanche, do bolsa família e na porta de casa, no ponto de ônibus, no ônibus, no largo (dentro) da igreja, pela bíblia, pela polícia, pela mídia e pela fome. Tem que alisar o cabelo e raspar o pelo, embranquecer a família e emagrecer a barriga, moldar pra ficar igualzinho europeu e falar como estadunidense, robotizar a vida, heterotizar a libido e patriarcar Mário e, Tadeu, tu é macho porra! Tadeu que agora é Rosa e o Mário que acabei de comer atrás do armário. Minha gente tem até fama de manzanza, mas carrega esse país no braço, meu irmão! E vamos titubeando, perdendo suas modas de viola e seu samba de roda, suas folhas que caem e não nascem mais, suas águas que passam e depois secam e suas terras que não é de quem precisa duma, é de quem pode ter mais uma aqui e mais outra ali.

“São Jorge vela por mim e pelos meus, protegendo-me com suas armas.” Oração a São Jorge II

Honoríficos da rua

Quarta (01), às 8h dobrei a rua Rio Branco e o morto já estava conformado (a justiça não). Eu, com o fone no ouvido, peito cheio de agrura e com dezenas de uma dúzia e meia de coisas na cabeça, desci a praça Gonçalves Dias e a Maria Aragão com Travessia de Milton Nascimento:

“Solto a voz nas estradas, já não quero parar
Meu caminho é de pedra, como posso sonhar”

Mas foi no semáforo que faz o pedestre cruzar da DPCA (Delegacia de proteção à criança e ao adolescente) à antiga Estação Ferroviária do Maranhão (REFESA), tudo ali na Beira Mar, que me veio a inspiração de hoje, em um singelo e despretensioso gesto de abrir os braços e reverenciar os carros parados em evanescência, o malabarista de camisa roxa externou poesia e eu peguei o seu melhor ângulo.

A reverência de todo artista é para ele dever cumprindo, pelo menos ali. Os das ruas têm seu espaço livre, o vento corre, vez ou outra atrapalha, a chuva dá seu efeito, às vezes em exagero, e o sol ou a lua é a luz que o cabe melhor aproveitar. Mas tem lá seus desafios, há quem subestime, quem repudie, há quem confunda vagabundo com aventureiro, mas também há quem descontrua estereótipos artísticos para maior estardalhaço nos aplausos.

Circense na Rua João Gualberto - centro de São Luís.  Foto: Emmanuel Menezes
Circense na Rua João Gualberto – centro de São Luís.
Foto: Emmanuel Menezes

A arte na rua é democrática, é lugar pra ser tomada pela molecada de 30 e pela garotada de 10, gente de todas as idades, línguas, cabelos, roupas e gostos. Nada mais popular que a arte em praça pública, socializando com quem quer vê-la, com quem acha que arte escapa de qualquer estandardização.

No suar que dilui a maquiagem do artista, há história de valentia, de choro e riso com rosa na mão. Há aperfeiçoamento e técnica, tem também vivência e experiência nessa Travessia. O glamour fica só no título do oficio, já que “meu caminho é de pedra” e a alegria é de vento, e está em todo lugar, ora brando, ora fervoroso, mas todo dia Artista!

Peguei um ônibus gentil!

Não há lugar mais aglomerado para se passar as mais diversas situações que dentro de um coletivo. São oportunidades amiudadas para exercitar a paciência, o respeito ao próximo, pôr a gentileza em dia e quando possível for, aproveitar a rota para inclinar a cabeça na vidraça da janela, (óculos e fone são uma boa pedida), para melhor se inspirar e refletir. É quando está parcialmente vazio, com assentos livres, de volta pra casa, que o filósofo ou o poeta tende a exercer sua essência ali mesmo.

As indelicadezas são sentidas nos sarros que acontecem ao passar apertadinho, desconfortável não é só estar exausto em uma quase lata de sardinha, mais que isso, é perceber os abusos que acontecem.

Os palavrões são elogios sutis ao motorista, a mistura musical é para agradar afins e irritar reticentes. Fiquem surpresos! já peguei um Angelim, sentido Bequimão e, ouvi uma passageira que estava ao meu lado cantar, acompanhando a música lírica que ela ouvia no alto falante do celular. Foi mais uma para a minha lista de ineditismos do transporte coletivo.

Projeto 'Ônibus Gentil' nos coletivos de São José dos Campos (SP). "Esse projeto alerta sobre a gentileza dentro dos ônibus.  Ser gentil faz bem! Gentileza gera gentileza, já dizia o Profeta." - Eva Sielawa
Projeto ‘Ônibus Gentil’ nos coletivos de São José dos Campos (SP).
“Esse projeto alerta sobre a gentileza dentro dos ônibus. Ser gentil faz bem! Gentileza gera gentileza, já dizia o Profeta.” – Eva Sielawa

Infinitas situações são postas a nossa prova em percursos longos e breves, menos importa a distância. A gentileza praticada fora e dentro dos coletivos, qualifica o ser sábio que faz, homenzinho ou homenzarrão, dentro de cada um.

Levantar-se para dar lugar a gestantes, idosos, obesos, mulheres com criança de colo, portadores de necessidades especiais é de dever do passageiro, gentileza seria se não houvesse lei para caber a benevolência ou a educação de cada um oferecer o assento.

Mas bem poucas são as cadeirinhas amarelas, com isso ou sem isso, as demais também servem de chance para pôr a gentileza em dia a dia…